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Primeiro dia do fim da gratuidade para idosos de 60 a 65 anos tem reclamação no transporte público de São Paulo

Cobrança de tarifa para o segmento começou a valer nesta segunda (1). Pela expectativa de vida na capital, aumenta a possibilidade de idosos de vários bairros da cidade nunca terem acesso ao benefício, principalmente nas periferias da capital, como no Jardim Ângela, onde a expectativa de vida é de apenas 58,3 anos.

01/02/2021 21h07
Por: Anna Oliveira
Primeiro dia do fim da gratuidade para idosos de 60 a 65 anos tem reclamação no transporte público de São Paulo

O fim da gratuidade para idosos com idades entre 60 e 64 anos passou a valer nesta segunda-feira (1º) e passageiros reclamaram da falta de informações sobre a nova determinação da Prefeitura de São Paulo e do governo estadual. Alguns idosos ficaram com medo de serem barrados nos ônibus e trens da capital paulista.

"Faço fisioterapia, tenho que sair de três ou quatro vezes por semana de casa. O valor da aposentadoria não dá pra nada, era um dinheiro que eu não planejava gastar, agora não sei de onde tirar", afirma a doméstica Maria Aparecida da Silva.

"Está bem confuso, fiquei com medo de ser barrada, mas consegui passar", afirmou a recepcionista Zilda Santos da Silva, de 65 anos.

Com o fim da passagem de graça, aumenta o número de moradores que possivelmente não nunca terão acesso a esse benefício na capital paulista. A cidade tem expectativa média de vida de 68 anos. Por bairro, a pior média é no Jardim Ângela, na Zona Sul, onde a expectativa de vida é de 58,3 anos.

O Jardim Paulista, também na Zona Sul, uma das áreas mais nobres da capital, tem a maior média de expectativa de vida da cidade, com 81,5 anos.

 

Em 29 dos 96 distritos da cidade de São Paulo, a expectativa de vida está abaixo dos 65 anos. Com exceção do Brás, no Centro, todas as regiões com menor expectativa de vida ficam nas periferias.

João Inocentini, presidente do Sindicato dos Aposentados, Pensionistas e Idosos diz que a medida afeta a qualidade de vida dessas pessoas, já que 65% delas ganham em media um salário mínimo.

“Nesse momento, tão critico da pandemia, que a população está passando, com milhares de pessoas desempregadas. O governo tira o direito das pessoas de poder andar de transporte gratuito em busca de um emprego ou até mesmo um trabalho temporário”, afirma.
Idosos entre 60 e 64 anos passam a pagar passagem nos transportes públicos em SP

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186 mil pessoas afetadas

A determinação da Prefeitura e do governo do estado afetou diretamente 186 mil pessoas. A medida vale para os ônibus municipais de São Paulo e intermunicipais (EMTU), Metrô e CPTM.

A tarifa ainda será gratuita para pessoas com mais de 65 anos, benefício garantido pela lei federal que instituiu o Estatuto do Idoso. Os cartões de pessoas que não completarem 65 anos até o dia 1º de fevereiro de 2021 foram cancelados, segundo a SPTrans.

De acordo com o decreto, o 'Bilhete Único Especial da Pessoa Idosa' pode ser obtido mediante cadastramento na SPTrans, pelos usuários com idade igual ou superior a 65 anos, que comprovadamente residam nos municípios que compõem a Região Metropolitana de São Paulo.

 

Em dezembro de 2020, em nota, o governo de São Paulo e a Prefeitura de São Paulo informaram que a mudança na política de benefícios no transporte de idosos "acompanha a revisão gradual das políticas voltadas a esta população".

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